29 de abril de 2017

Um fim

ESSE BLOG ESTÁ OFICIALMENTE ENCERRANDO SUAS ATIVIDADES.
ALGUMAS POSTAGENS ANTIGAS, PORÉM, CONTINUARÃO AQUI, PODENDO SER ACESSADAS A QUALQUER MOMENTO.
OBRIGADO.

Thales Estefani

23 de julho de 2014

Visualizado em...

E nesses dias sinto os efeitos do amor volátil, talvez do líquido de que falava Bauman. Sinto os efeitos de quem não se compromete com o outro e de quem deixou um amontoado de dados digitais agir em seu nome.
Eu venho sentindo que substituíram os abraços por likes, os conselhos e conversas carinhosas por comentários estandardizados que parecem dizer sempre a mesma coisa... Os risos gostosos nas caras rosadas viraram "kkk"s sem sentido.
Não, ninguém vai se importar se você não postar nas redes sociais. Ninguém vai querer saber se você está bem, se você não disser com todas as letras que está gripado, foi assaltado, está desempregado, sua mulher te deu um pé no rabo...
Não, ninguém vai te ajudar se você não implorar, se você não mandar um inbox pedindo ajuda (porque inbox é a coisa mais próxima de uma conversa franca que se tem atualmente).
Portanto, quando as pessoas me perguntam o porquê de eu não interagir muito mais através das redes sociais, tenho apenas uma coisa a dizer: interajo na medida que isso me sirva como forma de expressão, fruição ou veículo de informação (nesse último caso, a partir de páginas específicas de notícias, instituições ou artistas). Todo o resto tem me parecido incrivelmente tedioso atualmente.
Lembro-me que na época do agora extinto Orkut eu cheguei a redigir - em papel - mensagens para os meus amigos mais próximos dizendo o que senti quando os conheci e o que representavam pra mim. Pra muitos pode soar piegas demais, pra outros pode parecer até que eu tava forçando a barra, mas a verdade é que sinto saudades do compromisso das pessoas com os outros e é por isso que eu realmente quero ser professor um dia. Em teoria, é uma das profissões na qual você tem compromisso direto em se dedicar ao outro. Digo "em teoria" porque todos nós sabemos que nem sempre é assim.
Sei que muitas vezes é difícil não recorrer às redes sociais para interagir, principalmente no que se refere à distância física entre duas pessoas. Mas talvez a questão não seja exatamente as redes socias como meio, mas sim como as pessoas lidam com ela, o fato dos amigos se tornarem apenas insígnias no seu mosaico de contatos. Você assume a ideia de que estarão lá pra sempre caso precise ou não deles.
Talvez isso não faça sentido algum, talvez faça. E talvez eu esteja escrevendo isso apenas motivado pelas saudades que tenho de tantos que sumiram em meio a esse monte de dados.
A única coisa que sei é que verdadeiramente os amo ou amei. E se há alguma dúvida nisso... bem, mande-me um inbox mesmo, caso não haja outra maneira. :/

Thales Estefani


A respeito do tema, assistam a esse vídeo de uma entrevista do Zygmunt Bauman:

7 de abril de 2014

Desequilibrando

Hoje mudei o nome deste blog. Mas, pra quê mudar o nome depois de tanto tempo?
Estou por aqui desde 2008...
Na iminência de me tornar um cara com um quarto de século, creio saber bem mais sobre eu mesmo do que há anos atrás. Entendo, agora, que algumas características são importantes pra me definir.
O desequilíbrio é aquele instante em que se está entre a queda e a retomada, aquele instante em que o seu corpo (ou sua mente, no caso de um desequilíbrio metafórico) pode sucumbir diante da gravidade ou relutar para permanecer estável.
Todo mundo pode identificar situações em que se desequilibrou. Mas, particularmente, reconheço nesse instante algo tão próprio... Estou a todo momento buscando me estabilizar sobre algo (não se esperaria nada diferente de um número 4, estável como os pés da mesa). Apesar dessa busca, há em mim um desejo pela revolução (interna e externa), um desejo por esse instante do desequilíbrio, taquicardiamente renovador. Mas eu não caio. Minha pulsão não é suicida, ela é regenerativa. Eu preciso continuar me equilibrando, mesmo que siga a direção oposta da que seguia antes.
É como se, em vez de uma corda bamba, eu me equilibrasse sobre uma viga. Uma viga de perfil T. T de Thales. T, a letra em constante equilíbrio. A perfeita metáfora entre a estrutura e a oscilação.
É que eu gosto de núvem, mas também gosto de chão. Gosto de pedra, fumaça e construção. Vapor e aço.
O Desequilíbrio T representa essa confusão. O DesequilibRIOT é minha manifestação.


1 de fevereiro de 2014

Ilustração e o tempo

Recentemente tive meu primeiro artigo publicado. Uma conquista que me alegra muito!
Ele está disponível no endereço da Revista Z Cultural, que é a revista do Programa Avançado em Cultura Contemporânea da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O trabalho trata das formas gráficas de expressão e representação do tempo (cronológico) nas ilustrações de livros-imagem, que são aqueles livros em que há apenas ilustrações, sem palavras.
Para essa análise eu utilizei a obra do ilustrador Roger Mello.

Espero que achem interessante! :D

29 de janeiro de 2014

Em defesa da possibilidade da tinta acrílica ser o que eu quiser!

 Toyart do gato Nicolau ( © 2013 Thales Estefani. Todos os direitos reservados, via Behance.)
 
Num sábado qualquer de dezembro eu precisava de tinta acrílica. Um amigo oculto self-made estava marcado para dali a alguns dias e tive a ideia de fazer um toyart do bicho de estimação do meu amigo para presenteá-lo. O gato Nicolau.
Seguindo a técnica de construção de toyart com materiais de baixo custo, que aprendi com Rogério Camolez, precisava da tinta acrílica para pintar o gato. A técnica em questão já foi aperfeiçoada e utilizada amplamente pelo próprio Rogério, e eu mesmo já havia construído um toy seguindo essa técnica durante um workshop.
Eis que, ao entrar em uma loja ESPECIALIZADA em materiais para artes gráficas e buscar pelos potes de tinta acrílica fui abordado por uma vendedora que me questionou “Desculpa perguntar, mas para quê você quer essas tintas?”. Eu, inocentemente, respondi que era pra fazer um toyart e ainda tentei explicar com um sorriso estampado no rosto “É tipo um boneco, uma escultura pequena”. Então a vendedora simplesmente tirou as tintas que estavam na minha frente, em cima de um balcão, dizendo “Não, essa tinta não vai servir pra isso!”.
Ora, mas o que é “servir” nas artes visuais? Que tipo de subserviência da criação ao material é essa abordada pela vendedora?
Na escola a gente aprende desde pequenininho que o lápis preto, de grafite, é pra escrever. O outro, colorido, é pra pintar. Que só é sério o que está escrito à caneta. Que a tinta a gente pega com o pincel... Mas na escola a gente também aprende que pode colocar o giz de cera na chama da vela pra pintar com gotas fluidas de cor, que a lixa de madeira pode ser papel, que dá pra pintar com os dedos e com as mãos lambuzadas de tinta. Só temos essas duas visões do material na escola porque lá é o lugar de experimentar e saber se você vai querer, pro resto da sua vida, seguir as regras, destruí-las ou reinventá-las... porque, afinal de contas, nem existem materiais específicos pra artes. Ou então Camolez não teria inventado sua técnica de toyart.
Imaginem se alguma vendedora dissesse para Yves Klein que ele não poderia pintar com o corpo de outras pessoas, que não poderia tacar fogo nas pinturas, que não poderia pintar com abrasões meteorológicas... Claro, não quero comparar, eu estava em uma posição bem mais medíocre que Klein, porque queria apenas fazer um toyart. O artesanato é diferente da arte. O artesanato deve ser o que você espera dele. A arte pode ser tudo o que você não espera dela. Mas ainda assim, por não conhecer a técnica do toy referida, a vendedora não deveria impedir minha compra.
É claro que, esperar que a vendedora da loja se questione sobre a subserviência ou não da criação à matéria-prima é pedir muito. Mas, poxa, se nem a lógica capitalista fez com que ela me vendesse as tintas, mesmo que não servissem pra mim, apenas para lucrar mesmo, creio que eu possa classificá-la como uma péssima vendedora.
E o final da história?
Falei “Ta certo”, virei as costas e nunca mais entrei pela porta daquele lugar. Comprei tudo que eu precisava naquelas grandes lojas onde não há questionadores, você pega tudo o que quer, passa no caixa e “Boa tarde!”.

Thales Estefani
Geraldinho Nosferatus, outro toyart pintado com tinta acrílica ( © 2013 Thales Estefani. Todos os direitos reservados, via Behance.)


Crônica originalmente publicada no blog FÊMUR em 26 de janeiro de 2014.

19 de maio de 2013

Way back home

Eu, particularmente, penso que lar é aquele lugar onde a gente se sente bem, onde a gente se sente livre, apesar das paredes que existem em volta. Pelo menos para mim, depois de uma certa época, lar passou a representar isso.
Mas, nem todo lar tem paredes. Muitos de nós, ou nossos pais e avós, já passaram pela experiência de ampliar o círculo semântico daquilo que pode ser entendido como “lar”. Os migrantes que o digam!
Sou natural de uma cidade constituída essencialmente de migrantes, muitos vindos das Minas Gerais, que foram para lá em busca de boas oportunidades de emprego e guiados pela crença numa vida próspera. A cidade é Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro.
Minha família foi para Volta Redonda vinda de outra cidade do interior, Paraíba do Sul. E sempre, ou quase sempre, durante minha infância, meus pais voltavam àquela cidade nos finais de semana para que eu e minha irmã nos reencontrássemos com nossa avó e primos. Para mim, era passeio. Para mamãe, waybackhome. Claro que só fui entender isso melhor quando eu saí de casa. Primeiro, para fazer uma faculdade de arquitetura em Seropédica; depois, para sonhar em fazer livros na UFRJ.
Na Rural (Seropédica), estudei com gente de vários lugares, cada um com um waybackhome diferente. Alguns com waybackhomes tão distantes que justificava criar outros waybackhomes paliativos para compensar. Já na capital, algumas vezes parecia que apenas eu tinha um waybackhome.
Conheci muita gente boa no Rio de Janeiro e fiz amigos incríveis, desses pra vida toda, mas a cidade, apesar de todas as vantagens e oportunidades (em vários sentidos), dificilmente me fará ter esse sentimento de lar um dia. Não é algo contra o Rio, seria assim em São Paulo ou em outro lugar também.
Mas creio que o sentido de lar ainda seja maior que o de uma cidade. Sentir-se em casa, penso eu, tem a ver com sentir-se bem sendo quem você é, estando como/onde gosta de estar e fazendo o que te faz feliz. Sentir-se em casa é um estado agradável de si. Estar no seu lar interior. O que eu escrevo agora não tem mais relação com geografia, é uma questão diferente.
Agir de acordo com a sua ideologia, refletir seus sonhos na luta diária da vida, disseminar o que pode fazer os outros felizes, ser sincero com todos os seus sentimentos (os bons e os ruins): isso é estar em casa! É estar dentro de você mesmo e abrir as portas para transparecer isso para o mundo.
Em casa, somos o clichê de ser nós mesmos. Somos honestidade. E quando nosso lar passa a ser compreendido além de umas paredes de alvenaria, podemos abrigar tudo o que nos faz felizes... dentro do peito.
Eu to voltando pra casa outra vez!
E ainda não falo de geografia.

Ouça uma ótima música e assista a um clipe, no mínimo, interessante. Way back home, do Bag Raiders. :*

2 de dezembro de 2012

Figo verde

"Tem que ter tempo pra mijar, pra comer, pra passear...". Essas foram algumas das palavras da minha avó hoje ao telefone conversando comigo. Ela me perguntou como eu estava e como estava tudo. Acho que não gostou da resposta. Minha mãe e ela estavam debaixo de uma figueira catando figo pra fazer doce. Eu consigo até ver aquela senhorinha de cabeça branquinha tirando os figos dos galhos.
Já não lembro direito qual foi a última vez que a vi (com os olhos e não como uma imagem mental construída de lembranças).
Ela, como muitas outras avós, já viu tanta coisa acontecer, viu o tempo ser cruel com tanta gente à sua volta. Viu a fragilidade da vida. Viu e entendeu que a gente precisa recriar um outro tempo dentro do tempo.
Sabe, onde ela mora o tempo passa mais devagar. Dá até pra perceber a nossa própria respiração, dá até pra lembrar que o céu existe. Dá pra ver fruta madurando no pé.
Mas figo pra fazer doce, é figo verde. Não pode deixar passar muito tempo, senão ele madura e já era.
Eu estou aqui, escrevendo esse texto e pensando em um milhão de coisas. Pensando o quanto eu tenho madurado nesses últimos anos e lamentando por não poder mais fazer da minha vida tão doce quanto doce de figo.
Eu volto a me perguntar o que realmente importa para ser um bom fruto. Importa madurar com o trabalho excessivo seguindo as regras da busca insaciável por ser um profissional perfeito, com o dinheiro e a dinâmica diabólica do balanço de ganhos e gastos, aceitar o pesticida de regras estabelecidas que matam o que de ruim pode te afetar, mas também infecta tudo o que você tem de bom? Ou importa mais ser colhido na hora certa, pelas mãos certas, no seio de quem te ama e saber aceitar a sua natureza verde, porém promissora de um futuro doce?

Eu prefiro ser verde e imperfeito.
Hoje é dia 2 de dezembro de 2012 e estou me comprometendo a seguir meu coração.

16 de outubro de 2012

Eu não pensei que fosse fazer alguma diferença



Eu não pensei que fosse fazer alguma diferença. Achei que seria uma tarefa como outra qualquer: sair mais cedo de casa, passar na faculdade para entregar uns trabalhos de fim de período e depois ir pro trabalho (esse último, daqueles sério, que você recebe salário no fim do mês).
Pensei que fosse ser fácil. E foi, objetivamente. Dia lindo, trânsito bom, ônibus vazio, uma mulher pedindo dinheiro...
Mas, subjetivamente, foi bem diferente.
Cheguei ao campus e fui direto pro corredor da coordenação, deixar os trabalhos no escaninho. Ainda tinha tempo antes de seguir minha rotina, então resolvi dar uma voltinha. Foi quando eu entrei no corredor das salas, o sol entrando pelos janelões, aquele cofre... Nunca entendi aquele cofre! Uma vez disseram que usavam ele pra trancar a porta de uma sala (sabe como é, escorando). Os azulejos azuis... que pleonasmo! Alunos sentados nos banquinhos, só os nerds, porque ainda era sete e qualquer coisa. A xérox da Beth, fechada – já disse que ainda era sete e qualquer coisa. A xérox do Ita, aberta – porque já era sete e qualquer coisa!
Quando olhei pro laguinho, lá estavam os resquícios do nascimento dos calouros. Como as cascas deixadas para trás pelos passarinhos que nascem, lá estavam os potes de guache, copos, papéis, toda sorte de porcarias. Cúmplices de todos os banhos demorados e roupas descartadas.
Continuei minha caminhada fora do palácio. Não vi ninguém que eu conhecesse, pelo menos nenhum aluno. Já os gatos da ECO, esses são sempre os mesmos. Desconfio que alguns deles tenham cerca de 130 anos (obs.: nessa de não ver ninguém conhecido a gente se sente tiozão! Ou um gato da ECO, mesmo).
Eu passei pela CPM, Cópia Café, pelo Sujinho. Eu atravessei a Lauro Müller. Eu senti o vento. Não me lembrava quando tinha sentido o vento pela última vez. Eu quis chorar, mas segurei. Vinha um cego pela calçada e ele podia escutar eu soluçando.
Na faculdade, eu corri. Enquanto meus amigos fazem 20 ou 21, eu faço 23 ou 24. Uma faculdade de arquitetura eu deixei pra trás. Uma família te sustentando em outra cidade não é nada confortável (a não ser que você seja um vagabundo relaxado!). Eu corri do jeito que pude. Mas não faça como eu.
Isso pode ter sido só um relato de alguém saudosista. Sou o rei dos saudosistas. E eu sei também que a história do passarinho quebrando a casca foi, muito provavelmente, a coisa mais brega que você já leu. Mas, o que eu quero com esse texto é alertá-los sobre uma coisa: fiquem na faculdade durante cinco anos. Seis, se possível! Quatro anos passa tão rápido quanto o intervalo entre as aulas.
Puxe trezentas matérias, deixe um monte de buracos no seu quadro de horários e use seu tempo pra vadiar.
E SINTA O VENTO. Eu não pensei que fosse fazer alguma diferença.

27 de julho de 2012

Germinando eu de mim

Uma vez, faz algum tempo, uma pessoa que eu pouco conhecia me falou algo muito importante. Essa, era aquele tipo de pessoa que a gente gosta sem saber direito o porquê, aquele tipo de pessoa que te deixa contente só de olhar. Era também aquele tipo de pessoa que você encontra sem querer em momentos muito diferentes e com intervalos enormes entre um e outro, aquele tipo que dura apenas um instante no papel coadjuvante da nossa vida.
Acontece que quando uma pessoa assim te diz algo importante, ela marca. Essa pessoa era uma professora, que nunca tivera sido minha professora, era muito nova para isso. O nome dela é Raphaela. A última vez que a vi deve ter sido há dois anos (estimativa com grandes chances de erro).
Essa moça, com apenas 4 palavras, disse exatamente o que eu era. O que eu sou.
Sabe aquele tipo de coisa que pode parecer óbvio para um monte de gente, mas que você não conseguiu enxergar ainda?
Mas, ainda que qualquer outra pessoa me falasse a mesma coisa – um familiar, um amigo próximo, um colega de trabalho – eu não daria tanto crédito. Mas, ela? Uma pessoa completamente imparcial, mapeando minha alma com um scanner tão indefectível... fazendo uma análise antropológica do homo thalesus! Foi como uma iluminação divina.
Desde aquele dia eu sei exatamente o que é capaz de me fazer feliz, sei o que preenche minha casca e sei onde e como quero estar no futuro.
Quer dizer, ou eu sei, ou eu aceitei. Porque depois da sentença de Raphaela, não havia mais escolhas pra mim – e não há até agora.
Mal sei se agradeço a ela ou a condeno por ter implantado tão fundo essa sementinha no rock garden da minha mente. Em meio às pedras e cactus essa danada dessa semente germinou e está crescendo. Quando eu menos esperar será impossível impedir que seus ramos saiam pelos meus olhos e boca. Será difícil e terei muito medo, eu sei. Mas, nesse momento, serei eu.

16 de abril de 2012

Lembro como se fosse hoje... é tudo verdade

Olá, gente.

Como projeto de conclusão de uma disciplina de produção de livro na faculdade, resolvi dar vida ao livro de memórias da minha bisavó. Foi um projeto do qual cuidei com todo carinho e respeito que uma mulher quase centenária merece. Vocês deveriam conhecê-la, é incrível a sua memória e o jeito como ela fala dos tempos passados; ou mesmo dos tempos de agora.
Desenvolvi projeto gráfico, capa e ilustrações para o livro. Na edição há um anexo com fac-símile do original manuscrito por Rita de Carvalho Braga, além de uma coletânea de fotos encartadas num bolso que existe na quarta capa. O livro é fechado por uma jaqueta em formato de cinta de couro, com uma fechadura. Esse detalhe confere ao livro todo o aspecto de diário.

Clique para ver maior!

E, olha só o vídeo da autora recebendo o primeiro exemplar:

1 de abril de 2012

Guerreiros - Por dentro do jogo


Esse foi um curta-metragem documental realizado para a disciplina de Linguagem Audiovisual II da ECO-UFRJ. Nesse trabalho, auxiliei no roteiro e fiz o projeto da fotografia.
Assistam aí, pessoal!!!

20 de março de 2012

O bandejão da Praia Vermelha

Olá, pessoal!
Fiz uma ilustração para o jornal ECOS, da Escola de Comunicação da UFRJ. A imagem feita por mim ilustrou a matéria intitulada "O rango está (quase) na mesa", de Déborah Coutinho.
É possível conferir o trabalho na edição número dois do jornal, de março de 2012.


Para ver mais ilustrações minhas, acesse meu portifólio em http://www.behance.net/thaleschaun

17 de fevereiro de 2012

iGod 300 – a new invention

Mais de 300 e-mails na caixa de entrada. Essa vida corrida tem dessas coisas!
Os e-mails se acumularam desde o novembro passado. Tanta informação! Tantas oportunidades escancaradas em cada linha de zeros e uns decodificados em representações gráficas do alfabeto, algarismos, sinais...
Programei fazer uma limpeza: olhar tudo o que presta e jogar fora tudo o que não presta.
Comecei. Tudo bem até o décimo, décimo primeiro e-mail. Uma bomba explodiu na minha cabeça. Cogumelo atômico de questionamento, onda de radiação espalhando-se através dos filamentos neurotransmissores do cérebro.
Isso é vida?
Passar horas em frente ao computador lendo correspondências de um passado recente, acessar vídeos, comentar a última imagem cômica do 9GAG... assistir televisão... trabalhar sem um propósito maior. Isso tudo é vida?
Então caí naquela pergunta recorrente: por que estamos vivos? Pra quê viver?
E todo tipo de lugar comum começou a me assombrar “isso é pergunta sem resposta”, “a única certeza da vida é a morte”, “a vida é uma benção e deve ser aproveitada”. Contudo, nenhuma dessas frases pôde me satisfazer.
Para algumas pessoas, parece muito óbvio e pouco estimulante perguntar-se sobre a vida, mas essa indagação chegou até mim num aspecto prático.
Passamos muito tempo da nossa vida a mercê das COISAS. A consolidação histórica do capitalismo ocidental, a política orientada para resultados rápidos, a cultura do vencedor e do perdedor, tudo isso e mais um monte de elementos contribuíram para nos tornar a humanidade materialista. Talvez, a maldição de criar COISAS e sermos dominados por elas incida sobre nós desde aquela roda de pedra. Ainda assim, alguns indivíduos conseguiram olhar para dentro e viver voltado para o interior, não só de si, mas de todos, de modo que fosse possível pensar e até buscar um bem comum (mesmo quando não encontrado, pelo menos fora buscado). Essa iniciativa dissonante de alguns indivíduos é algo que podemos chamar, na falta de outro termo, de uma espiritualidade; facilmente encontrada em alguns antigos sábios orientais, por sinal.
Porém, diariamente e no mundo em que vivemos, é bem difícil encontrar essa espiritualidade. Estamos presos às COISAS. Não temos autonomia para nos locomover, comer, ver ou pensar. Estamos cercados de COISAS que cerceiam ou orientam nossos estímulos e ações. Pense o mais amplo possível: estou falando de tudo o que nós entendemos por vida (na concepção de cotidiano, mesmo).
Graças ao equipamento posicionado à frente de mim – um microcomputador – minha humilde reflexão voltou-se para as COISAS da tecnologia, principalmente da tecnologia da informação.
Com equipamentos cada vez mais “sofisticados” surgindo no mercado o homem pôde ampliar suas possibilidades, sair da esfera insignificante do que é humano e alcançar algo maior. A cultura da convergência e o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a portabilidade e autonomia de produção e disseminação (“ingestão”, também) de conteúdo contribuiu para criar um ser humano cada vez mais desprendido de alguns elementos como espaço definido, tempo e imagem representativa. É possível estar em qualquer lugar através da rede, ter acesso a qualquer informação, não estar subordinado a um tempo fixo de uso dessas ferramentas (acesso a qualquer momento) e ser quem quiser (através das informações que disponibiliza/acessa ou dos avatares que cria).
O homem é um quase Deus: onipresente, onisciente e sem forma definida. Ou, pelo menos, pensa (tem a sensação) que é. É aí que a bomba atômica de questionamento age novamente.
E todo esse anseio por desprendimento do homem e toda essa fluidez desesperada da vida que escorre pelo ralo do box, todo esse “tornar-se etéreo”... tudo isso não poderia ser apenas angústia?
Angústia de ter perdido aquela espiritualidade possível em outros tempos, aquela ligação direta (ou pelo menos mais próxima) com algo maior do que o alcance dos seus braços. Infelizmente, não posso afirmar.
O que entristece é perceber que esse atual desprendimento do homem é mais falso que nota de 3 reais. Ou melhor, é um desprendimento direcionado, é desprender-se de limitações físicas enquanto prende-se a aparelhos. É uma simbiose entre homem e COISAS. O homem, então, não é um Deus, é um robô. E, como todo robô, está sendo controlado.
E a inteligência artificial?
Por favor, isso não existe. Toda inteligência, realmente inteligente, é natural.

Obs.: Adoro tecnologia, quando bem aplicada e que demonstre caráter de utilidade realmente relevante. Não tenho religião, não frequento nem igreja, mas acredito em Deus como força e energia própria da natureza e do bem.

9 de outubro de 2011

Clóvis e Marina - Hora por baixo, hora por cima


O título dessa postagem é o título de uma esquete cômica escrita por mim em 2008.
Essa esquete foi escrita para participar do festival do SESC, em Barra Mansa - RJ. Um grupo de teatro foi criado da noite para o dia e os ensaios aconteceram no decorrer de apenas uma semana. Resultado: o Grupo Index foi aplaudido de pé, sendo classificado como "uma das melhores esquetes da noite".
Há o desejo de que "Clóvis e Marina - Hora por baixo, hora por cima" seja filmado. Porém, ainda existem alguns empecilhos como o afastamento geográfico de todos os integrantes. Quando as filmagens forem feitas, posto o vídeo aqui no blog também!
Abaixo, algumas fotos da única apresentação dessa esquete.




Clóvis e Marina (Grupo Index):
Direção: Wagner Falchi
Roteiro: Thales Estefani e Rotoy Santos
Elenco: Anna Maria (Marina); Rotoy Santos (Clóvis)
Produção: Gabriel

11 de novembro de 2010

Rio Comicon 2010!


Depois de anos, o Rio de Janeiro volta a ter um evento destinado à nona arte: o Rio Comicon. A Estação da Leopoldina perdeu o cinza característico e se encheu de cor e vibração.
Milo Manara, Kevin O'Neill, Lourenço Mutarelli, Rafael Grampá, Fábio Moon, Gabriel Bá, Laerte, Angeli, Ziraldo, Maurício de Souza... só pra citar alguns! Além de suas presenças e de seus quadrinhos (claro!), os convidados deram palestras e autógrafos.
Além dos "badaladões", podíamos conferir também o trabalho do pessoal da Revista Beleléu, Revista Samba, Marcelo D'Salete, Bruno Maron, Gomez, Eduardo Medeiros, Igor Machado, Pablo Mayer, Tito, entre muitos outros!!!
Stands e oficinas com diversos profissionais completavam a mistura.
Gabriel Guimarães produziu uma cobertura do evento no seu blog. Caso queiram acompanhar, segue o link: Cobertura Rio Comicon.

23 de agosto de 2010

Um jornal diferente

Olá a todos!

Sinceramente, foi uma experiência muito divertida! O link que colocarei no fim deste post é de um vídeo do YouTube, mais precisamente um programa de TV de um laboratório que cursei período passado na ECO-UFRJ.O programa é um jornal irreverente, da época da Copa. Vale muuuito a pena assistir! Carrega aí, vai!
Minha contribuição foi na direção do programa e com esse laboratório visitamos o Projac, centro da produção de dramaturgia da Rede Globo.
Olha o link aqui: Jornal do Zé

E olha a fotinha da turma toda na locação da Toscana, da novela Passione.


E na frente da pastelaria do Beiçola.

28 de julho de 2010

Visitinha

O site da Equipe Laguna ta cada vez melhor!
Se você ainda não deu uma olhada, é uma boa alternativa. Além das galerias de ilustrações, das tirinhas do projeto Atira Tiras e do HQ Alternativa, o site traz sempre, de dois em dois meses, a homenagem a um artista plástico. As obras desse artista ilustram as páginas do site dando uma atmosfera diferente, de acordo com cada pintura ou desenho.
Esse mês, a artista homenageada é a portuguesa Paula Rego, mas suas obras ficarão no site só até o fim desse mês. Em agosto já haverá outro artista nas páginas do site da Equipe Laguna.
Eu recomendo!

8 de junho de 2010

Caindo na rede

Então... um dia isso sempre acontece: você vai parar na mídia! Ta certo que foi uma coisinha bem simples e cheia de erros de redação, mas lá estou eu, no finzinho de uma matéria no G1.
Pra mim, que venho tentando construir uma carreira no mercado editorial, de artes visuais, design, quadrinhos e tudo o que com isso tem alguma relação, é sempre bom aparecer por aí.
Isso me remete a algumas lembranças de 2004, quando dei várias entrevistas pra TV Rio Sul (filiada da Globo no sul-fluminense), para o SBT, para o canal 36 da NET, tudo em decorrência de um curta metragem de animação do qual já comentei aqui no blog. Me lembra também uma entrevista mediada que cedi a uma rádio indiana em 2005! Meu Deus, parece absurdo, mas é a mais pura verdade!
Pois bem, a verdade é uma só: um dia te descobrem... mas é claro, deve-se fazer por onde. Ou realiza-se coisas boas, ou comete-se um crime. Tenho certeza que qualquer um vira notícia se fizer alguma das duas coisas. Se bem que hoje em dia parece ser bem mais fácil optar pela segunda alternativa.
Segue o link pra ver meu nomezinho no G1:
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/05/filosofia-de-lost-tem-debate-no-dia-mundial-do-orgulho-nerd-na-ufrj.html

25 de abril de 2010

O túnel do tempo da TV Globo


Em comemoração aos seus 45 anos, a Rede Globo, em associação com Jorge Zahar Editor Ltda., lançou o seu Guia Ilustrado TV Globo - Novelas e Minisséries.


Bem, o que isso tem a ver comigo?
É que esse guia conta com meu primeiro trabalho no processo produtivo de um impresso editorial. Fui responsável por boa parte do tratamento das imagens contidas no livro.
A sensação de ver o trabalho pronto é ótima!

Que venham outros!

18 de abril de 2010

Entrevista Anime Rock Fest

Essa entrevista já ocorreu há muito tempo! E traz boas recordações de outros tempos da Equipe Laguna, das pessoas e de mim.
Confira!

http://www.youtube.com/watch?v=qPhtiqAspjg

6 de abril de 2010

Lagarto de casa nova!



A minha querida e amada Equipe Laguna está entrando numa nova fase!
O nosso site foi totalmente reformulado por nosso competente webmaster. As diversas áreas do site foram reformuladas e estamos cheios de novidades. Além das galerias de desenho temáticas e mensais, temos uma área de publicação de tirinhas, a continuação do HQ Alternativa, entre outros.
A EL está preparando grnades iniciativas para 2010!

Confiram a galeria de Outono e de Páscoa!
Até a próxima!

2 de março de 2010

Do que estamos falando?

Cuidar das nossas crianças e dos nossos jovens: todo e qualquer adulto deveria ter isso em mente. Porém, parece que a cada dia as pessoas vêm tornando-se mais imediatistas, despreocupadas com o futuro ou com a teoria da ação e reação, que invariavelmente se aplicará sobre suas decisões presentes.
Uma discussão em pauta atualmente é sobre a redução da maioridade penal. Hoje, um indivíduo de 18 anos que comete um crime, vai para a cadeia. Um de 16, não.
Há de se compreender, porém, que o adolescente também tem uma punição. Ele é encaminhado a instituições para menores infratores. Ele não fica impune. E, se fica (em casos restritos e por vezes super badalados pela pobre mídia de massa), a falha está no processo judicial, ou seja, nos desdobramentos articulados por advogados e juízes que fazem, muitas vezes, um uso abusivo e mercenário da lei.
Diminuir a maioridade penal para 16 anos não surtirá efeito positivo algum em relação à violência. Se fizermos um comparativo, poderemos notar que há um número bem maior de delitos praticados por adultos do que por adolescentes.
E há outro ponto: o que faremos, então, se um garoto de 15 anos cometer um crime? Baixaremos mais ainda a maioridade penal?
Num depoimento absurdo na Revista Época de 1º de março de 2010, a colunista Ruth de Aquino relembrou a decisão bárbara do tribunal inglês, que em 1993 condenou dois garotos de 10 anos à prisão perpétua pela morte de um menino de 2 anos. E a colunista ainda alegou estar falando de "certo e errado (...) falando de justiça".
É realmente assim que queremos tratar nossas crianças e nossos jovens? Eles não têm nenhuma forma de se redimir?
Algumas pessoas defenderão que as instituições são escolas de criminalidade, que os jovens saem de lá em situação pior do que entraram. Então seria melhor jogá-los na cadeia? Não ocorreria o mesmo? Ou pior?
A questão toda é que a mídia insiste em mostrar um infrator, um criminoso, como um ser essencialmente mal, sem nenhuma forma possível de remissão dos pecados. Em alguns casos, realmente existe alguma patologia psicológica, o que torna o indivíduo potencialmente perigoso. Mas eu disse "em alguns casos", não em todos.
O real foco não é o da diminuição da maioridade penal. Temos que lutar e defender o aprimoramento em excelência das instituição voltadas para esse menor, para que ele, no futuro, possa se redimir e voltar à sociedade com toda dignidade, valores reconstruídos, educação, boa auto-estima e um ofício.
Não sejamos impulsivos ao lidar com a vida dos outros. Não sejamos imediatistas.
Estamos falando de certo e errado. Estamos falando de justiça. E bem mais que isso, estamos falando de humanidade.

*postado sob o codinome de El Niño, no blog http://www.climaruim.blogspot.com/

1 de março de 2010

Sobre nós e nós mesmos

O planeta Terra é a nossa casa. Nada mais clichê.
Acontece que a cada dia cuidamos menos do nosso lar. E, o planeta, como sistema completamente interligado e vivo - o que dirão os mitos e teorias sobre Gaia - reclama de todos os maus tratos.
É bem certo que o homem não tem culpa na ocorrência de terremotos (como os últimos do Chile ou do Haiti), já que esses se relacionam com os movimentos convectivos internos do magma terrestre e do choque entre as placas continentais. Porém, em quase todo o resto temos culpa. Principalmente nas mudanças climáticas, reflexo direto da exacerbada emissão de gases estufa.
O clima e as estações estão cada vez mais adulterados pelo homem: o verão mais quente no Rio em 50 anos, ciclones na Europa, nevascas impressionantes nos EUA, ciclos de chuva intermináveis que provocam alagamentos em São Paulo (inclua-se aí a questão do descarte incorreto do lixo pelos paulistanos) e deslizamento de encostas em Angra dos Reis. O planeta sinaliza loucamente seu descontentamento com a presença humana - e o impacto que essa vem causando - sobre a crosta terrestre. O planeta sinaliza, mas nada é feito.
A água do mar, em regiões próximas à Austrália já teve um acréscimo de temperatura de 1 ou 2 graus. Parece pouco, mas isso provocou a diminuição de colônias de espécies existentes apenas na região, como o dragão-do-mar, parente próximo do cavalo marinho. Além disso, pescadores brasileiros vêm observando o rendimento diário diminuir com o passar do tempo graças às mudanças climáticas. Como se não bastasse, o iceberg que se descolou da Antártida pode trazer maiores problemas climáticos caso derreta e modifique a concentração salina em áreas de formação de correntes marinhas.
Mas, não só de atrapalhar o clima vive o homem. Ele também sabe destruir a natureza de maneira mais invasiva e direta. Seja através de queimadas e destruição de ecossistemas em prol do crescimento da modernidade, seja através do desejo de alegrar outros seres humanos em shows bizarros nos "Sea World's" da vida. E depois ainda reclamam quando um animal selvagem faz aquilo que ele naturalmente sabe fazer: ser selvagem.
O homem está sempre tentando burlar as leis da natureza, subjulgando-a com invenções e suposições, preferindo vê-la como um obstáculo, não como a extensão do seu próprio corpo.
Novamente volto a dizer: o planeta sinaliza, mas nada é feito. Nem quando diversos líderes de Estado reúnem-se para achar uma saída, ela é encontrada. Ocorre que a saída sempre esteve debaixo dos nossos narizes.
Para lidar com a natureza é preciso jogar de acordo com suas regras e entender que tudo é uma rede. Que a mesma força vital que faz uma planta crescer ou uma tartaruga nascer, move a mão que joga um plástico no chão. Ao destruir aquilo que nos cerca e nos dá vida, obviamente nos destruiremos.
Somos todos uma coisa só.
Nós somos o mundo, já dizia Michael Jackson.

*publicado sob o codinome El Niño no blog http://www.climaruim.blogspot.com/

26 de fevereiro de 2010

Quanto custa ser feliz?

Se um governo pretende o aumento da arrecadação fiscal, ele não pode ignorar a teoria de Arthur Laffer. “Pai da Economia pelo lado da Oferta”, Laffer se formou em Economia pela Yale University em 1963 e obteve o doutorado em Stanford em 1971. Foi professor da University of Chicago, University of Southern Califórnia e da Pepperdine University.
A “Curva de Laffer”, rascunhada por ele num guardanapo nos anos 70, mostra a relação existente entre as alíquotas do imposto e o total da arrecadação tributária, de modo que nem sempre o aumento da tributação gera um aumento de arrecadação. A proposta é a de que a diminuição de impostos (como estímulo para o trabalho e a produção) poderia conduzir ao aumento da quantidade arrecadada pelo fisco.
Laffer não tem a pretensão de ter inventado o conceito da curva, atribuindo-o a um estudioso muçulmano do século XIV, Ibn Khaldun e, posteriormente, a John Maynard Keynes.
Esse economista apresentou seu estudo ao presidente Ronald Reagan nos anos 80. Reagan aceitou a sugestão e reduziu as alíquotas, vindo a comprovar-se na prática a teoria de Laffer. A diminuição dos impostos provoca uma reação em cadeia, entrando em um círculo vicioso positivo com mais crescimento econômico, empregos, lucros e, por conseqüência, mais arrecadação.
Pela Curva de Laffer, os indivíduos têm um limite a partir do qual não estão dispostos a pagar tributos sobre suas receitas, pois, a partir de um ponto de ruptura de uma taxa de imposto máxima, eles preferem sonegar a contribuir mais ao governo. Os agentes econômicos não querem correr riscos se o retorno não for compensador ou se for integralmente destinado a engordar os cofres públicos, sobre os quais não têm controle.
Os princípios básicos da Curva de Laffer são de que com uma alíquota tributária nula, a receita obviamente é nula e com uma alíquota de 100%, a receita também é nula, pois ninguém iria trabalhar para que o governo se apropriasse de toda sua renda. 
Desta forma, há um nível de alíquota que maximiza a receita. As representações gráficas da curva parecem colocar esse nível em torno de 50%, mas a taxa ideal poderia ser qualquer percentagem entre 0 e 100. O ponto no qual a curva atinge o seu máximo está sujeito a muita especulação teórica. Ele irá variar de uma economia para outra e depender da elasticidade da oferta de trabalho, entre vários outros fatores. Pode variar com o tempo numa mesma economia e ter a estrutura alterada por decisões políticas.
Um bom exemplo da aplicação desses conceitos ocorreu no estado de S. Paulo. Em 2004 o governo decidiu reduzir a alíquota sobre os combustíveis como forma de combater a sonegação. O ICMS caiu de 25% para 12%. A arrecadação subiu 7%!
O nivelamento adequado das tributações pelo governo tem íntimas ligações com o crescimento econômico nacional no que diz respeito à arrecadação nas empresas e o reflexo positivo que isso pode ter ao premiar as microempresas e aquelas que menos poluem, com taxas de impostos mais baixos. O combate das desigualdades socioeconômicas também está no seio dessa questão, já que os impostos devem ser revertidos em políticas de promoção da qualidade de vida das populações. E, um país com uma taxa tributária tão alta como o Brasil não pode transparecer problemas estruturais tão básicos como má distribuição de energia elétrica, falta de saneamento básico ou precária estrutura viária, por exemplo. Isso é
, no mínimo, ridículo.

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*publicado sob o codinome de El Niño no blog http://www.climaruim.blogspot.com/